Learning from The Hague: a vigilância

August 22nd, 2011 § 1 Comment

A questão da segurança na Holanda me fascinou desde o primeiro mês por aqui. Além do policiamento que em nada se pode comparar com o que há no Rio, por exemplo (desculpem, não tenho experiência em outra cidade), a vigilância das ruas e da sociedade se faz por muitos meios e variadas nuances. Há câmeras empilhadas em todas as esquinas. Ok, controle por vídeo não é novidade para nenhum tupiniquim.

Mas há um aspecto da vida holandesa que simboliza muito bem a sensação de vigilância total e permanente por aqui. São as generosas janelas e vidraças que expoem a casa e os afazeres de todo mundo. Já falei disso por aqui anteriormente. As janelonas voltadas para a rua ou para o público em geral, expressam transparência, um valor importante da segurança e da civilidade.

O meu coordenador por exemplo, trabalha numa salinha mínima, exposto por uma gigante vidraça, diante da principal escadaria da academia de Haia. Se o dito cujo quiser se espreguiçar, se coçar ou ajeitar a braguilha durantes as horas dele ali, vai ser melhor ele procurar outro emprego. A idéia subliminarmente difundida é  a de que quem não deve não teme. Se você nada faz de errado, por que precisa se esconder?

Mas para não dizerem que estou ficando paranóica, vejam bem a página de abertura da rede da biblioteca central de Haia, de dentro da qual vos escrevo agora mesmo. O cidadão que entra com o seu laptop para usufruir do espaço, da internet (e da calefação quando faz muito frio), precisa primeiro abrir o seu browser e logar no sistema wifi público. E aí ele se depara com esta foto aí em cima e respectiva mensagem, que eu nem leio, sei que são os termos de uso e que se precisa clicar ‘OK’ para conectar. Os senhores não concordam em que há um certo constragimento ao usuário, para que ele nunca relaxe ao fazer uso de algo que é direito dele?

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§ One Response to Learning from The Hague: a vigilância

  • simone says:

    Eu já comentei com marido que acho que tão estranho essa questão das janelonas. Quando me mudei pra cá, pouco mais de 2 anos atrás, morava em uma cidadezinha perto do Schiphol e passava de manhã e algumas casas eram basicamente 70% vidro. Eu não conseguia deixar de olhar o pessoal comendo, andando de roupão pela casa, sentado vendo tv.

    Ontem mesmo, o vizinho coçando e se espreguiçando no apartamento da frente com janelonas enormes e sem cortinas…

    Beijao

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